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Processos, geradores de evidências!

Hoje vou abordar a implantação de processos e modelos de práticas de mercado como CMMI, MPS.BR, entre outros. Existem inúmeros modelos atualmente no mercado, uns mais robustos e outros mais enxutos, mas todos eles têm como objetivo melhorar o processo de desenvolvimento das empresas e como consequência aumentar a qualidade do produto final.

Para você modelar um processo não necessariamente precisa atender todas as práticas que o modelo exige, você pode usar um ou mais modelos apenas como base para desenhar um processo com as melhores práticas necessárias para sua organização.

Este é o momento onde você deve levantar a estrutura de negócio de sua organização e comparar com as práticas dos modelos para conseguir escolher o que trará mais benefício ao seu produto final.

Porém se você tem como objetivo da implantação deste processo certificar a sua organização em um modelo, você deve ter alguns cuidados ao escolher o modelo que deseja adquirir o selo de maturidade.

Neste caso busque o modelo que possui as práticas mais benéficas ao seu produto, ou dentro de um modelo estude as áreas de processo que são mais deficientes e que são primordiais para o seu negócio e implemente essas áreas.

Os modelos apresentam um conjunto de melhores práticas separadas por áreas de processo para servir de referência na modelagem dos processos das organizações.

Níveis de maturidade em modelos são associados a categorias e áreas de processo exclusivas para cada nível. É através da implantação das práticas e metas descritas para as áreas de processo associadas a um nível que capacita a organização a atingir este nível de maturidade do modelo. Sendo que os níveis são sequencias e dependentes, ou seja, para adquirir o selo de um nível, obrigatoriamente deve-se atender a todos os níveis anteriores.

Após levantada a lista de áreas e práticas mais benéficas e que estão mais deficientes em suas organização, você decide qual nível do modelo é interessante adquirir o selo de maturidade.

Vamos a um exemplo. Digamos que você e sua organização tenham escolhido o CMMI for development v1.3 como modelo para adquirir o selo de maturidade. Este modelo é composto por 5 níveis de maturidade. No nível 2 há 7 áreas de processo e no nível 3 há 11 áreas de processo.

Digamos que para o estilo de negócio da sua organização seria interessante implantar 5 processos do nível 2 e apenas 3 processos do nível 3. Com essas características eu faço a pergunta: Vale a pena implantar o nível 3 na organização?

Para implantar o nível 3 de maturidade você terá que incluir em seu processo 8 áreas deste nível que não trazem melhores práticas benéficas o suficiente para justificar a implantação dos mesmo na organização.

Essas melhores práticas são um conjunto de atividades padronizadas e ordenadas visando garantir um nível de qualidade de uma parte do produto final, normalmente os modelos requerem uma grande quantidade de evidências para garantir que uma atividade está sendo cumprida no processo.

Você levanta as práticas que esse modelo exige e começa a desenhar o seu processo, começa a criar atividades e para cada atividade dessas você modela a necessidade da geração de uma evidência durante a execução do processo para garantir que o mesmo esteja sendo atendido.

Com isso eu te pergunto: Você vai utilizar todas essas evidências geradas por cada prática que o modelo exige? No ponto de vista da qualidade não adianta você implementar um processo pesado com artefato e evidências que você nem sabe pra que serve, somente para atender a um modelo se ele não está ajudando a sua organização a fazer o produto com maior qualidade em um tempo aceitável.

Você criando atividades que geram evidências que tem pouca relevância para o negócio da organização, fazendo com que as pessoas não estejam motivadas a executar aquelas atividades com o intuito de melhorar o produto, mas sim de cumprir com o processo.

Este é o vulgo “processo pra inglês ver” que você tem desenhado na parede, porém ninguém sabe pra que serve, porém é obrigado a executar a atividade, pois senão os auditores irão bombardear o projeto de não conformidades..

Penso que através de um processo no qual as pessoas executam as atividades sem conseguir enxergar um benefício, serve apenas de marketing pelo fato de ter um selo pendurado na parede.

Qualidade, ao meu ver, não é apenas ter um processo e executado a cada projeto e sim ter o auto comprometimento das pessoas envolvidas no processo em desfrutar das melhores práticas para tornas as suas atividades realmente produtivas no seu dia a dia.


Conclusão

Veja bem, eu não estou falando para você não implementar modelo de processos em sua organização. Até porque onde não temos padrões certamente temos desperdício, porém o excesso de burocracia também não é sadio a um processo.

Você deve buscar um meio termo para implementar um processo que traga benefícios e que as pessoas que executem esse processo vejam sentido nas atividades que estão fazendo para tirar proveito das evidências de suas atividades para a melhoria continua do processo.

Na situação exemplificado no desenvolvimento deste artigo, onde foi proposto a implantação de um processo em uma organização baseado no modelo CMMI, eu optaria por desenhar um processo que atendesse ao nível 2 do modelo de maturidade.

Neste processo que atendesse o nível 2, incluiria atividades das áreas de processo do nível 3 que são interessantes para aumentar a qualidade do produto de acordo com o estilo de negócio da organização, porém sem o intuito de estar adquirindo o selo de nível 3.

Com isso você evita que seu processo seja apenas um gerador de evidências sem utilidade causando sobrecarga de atividades e documentos no processo. O intuito não é apenas mostrar para seus cliente o selo de maturidade pendurado na parede da organização que você trabalha, mas sim aumentar a qualidade do seu produto e a satisfação do seu cliente.

Você que está iniciando na área de processos, tenha o seguinte conceito: O processo deve atender primeiro as necessidades do negócio da  organização, depois se pensa em adaptar o processo para adquirir o selo de maturidade do modelo de processo.


Referência

http://cmmiinstitute.com/assets/reports/10tr033.pdf

Autor: Daniel Ricardo de Amorim

Consultant QA at ThoughtWorks